Gota.

eu consigo ouvir o barulho da escuridão se aproximando.
aquele chão de madeira rangendo podridão, um quarto amplo cheio de vazio, cheio de móveis imaginários, mas o suficiente pra alimentar minha angústia de ser quem eu sou. uma xícara de café posta numa mesa empoeirada também de madeira e um pão de ontem com margarina da geladeira que na verdade não gela só finge. como todo o resto de mim. 
minha alma suplica por um fio de racionalidade que seja. por uma gota de entendimento e compreensão, meia gota, ou menos, eu imploro. por meu coração que é tão vazio quanto esse cômodo. por minha alma que está perdida entre quatro paredes, por minha consciência, que ainda existe, respirando o último suspiro que você me deixou.