Doce, como minha obsessão.

Eu estava sentado naquelas cadeiras de madeira típicas de todo bar que se preze, bebendo minha cerveja de sempre, ouvindo a mesma baboseira das mesmas pessoas, num dia normal de um final de semana qualquer. Simples, comum e rotineiro. Nada demais, ninguém de mais, nenhuma batida a mais de um coração apertado. E aí, como quem sempre esteve lá, de uma hora pra outra, numa virada de esquina, estava ela, linda/leve. Transpirando poder e auto-confiança, com seu cabelo escuro e curto, sua cintura fina, seu salto alto preto, o batom arrebatador, aquelas pernas magras vestindo alguma coisa meio rock meio to-nem-aí que eu não consegui identificar bem, e olha que sou detalhista. Mas aquele olhar me mata, me tira o ar, me tira o chão, me tira... aqueles olhos pintados, o jeito de olhar desconfiado, que rouba qualquer segredo, qualquer sentimento só pra ela. Ela é minha. ela é só minha. E veio na minha direção, como se o mundo não existisse, como se sempre tivesse sido assim, só eu e ela. Sentou no meu colo, pediu uma cerveja, me beijou como quem diz "boa noite". No meio daquele misto de tesão e perfume nostálgico eu tive certeza, era aquela nuca tatuada, aquelas unhas pintadas de azul, aquela blusa rasgada mostrando as costas... era minha, era só minha, morena.